Noite de Glória

“Surfcasting”
Boas pessoal!
Com o mar a dar umas condições porreiras lá fui eu de malas aviadas com a carrinha atafulhada até ao pescoço.
As boas condições para a pesca em determinadas zonas não acontecem a escrever no pc ou no tlm as condições que queremos e fazer “Enter” e o mar no spot X fica como queremos, isto é muito mais complicado do que se imagina, praias de fundos mistos estão a mudar constantemente e só para terem uma noção, tenho jornadas programadas para determinados pesqueiros há anos e não as consigo realizar simplesmente porque as condições não se conjugam, quando não é do cú é das calças, enfim…

A última jornada antes desta (que nem vou entrar em detalhes) não me tinha corrido nada bem e já andava aqui com o “sapo entravacado no garganil até mai não”, mas neste dia disse logo a mim mesmo que (Hoje não vou aturar disparates nem Robalos mal educados).
Já em acção de pesca e sendo eu um gajo teimoso e de ideias fixas sabia bem aquilo que procurava e concentrei-me no que estava a fazer, as quase sempre presentes sarguetas que tantos pescadores de surfcasting procuram, trituravam-me as iscadas como se fossem piranhas, o que me obrigou a estar mais atento.

O tempo ia passando numa noite relativamente calma e serena, o Mar tinha um toque bom e por vezes até afrouxava a linha um nadinha mas coisa pouca, tranquilo…
De instantes em instantes verificava se as canas estavam a pescar bem, a cada passo que dava sentia os meus pés enterrarem-se nas areias novas que o mar estava a meter naquele spot, a certa altura estava eu sentado numa pedraséca a comer uma maxóta de alcagoitas enquanto olhava para uma cana, quando viro a cabeça para olhar para a outra estava toda dobrada que até parecia um pescoço de cavalo (Tcxxée cacete que havia alcagoitas pus ares que aquilo até era uma coisa por demais) não que seja costume eu ir a correr para a cana porque acho isso uma atitude desnecessária, a não ser que haja pedra por perto, mas aquela visão momentânea surpreendente fez com que me levantasse rapidamente …
Pego na cana e sinto um puxão daqueles pujantes “Élááá!!! Espera aí que tenho aqui um pexeco jeitoso” Eu fiz-lhe sinal e ele deu-me um puxão, eu dei-lhe outro toque com a cana na vertical e ele obrigou-me a mete-la quase na horizontal “Élááá!!! É disto que eu gosto” daí em diante fui jogando um tipo de ping-pong com o velhaco, ele cabeceava do lado de lá e eu do lado de cá recuperava dois ou três metros sempre que podia, a zona de rebentação foi complicada de atravessar mas a pouco e pouco a linha entrava na bobine do carreto e a distância entre mim e o velhaco ia diminuindo, com o peixe já em dois palmos de água o batimento cardíaco aumenta e ainda faltava uns metros para o meter a seco, quantas e quantas vezes é nestes míseros metros que se perdem os Grandes troféus, foram uns metros difíceis de se decidirem porque eu não sabia bem o que lá estava e nem como vinha ferrado, aos poucos o velhaco foi cedendo e colaborando comigo e quando demos por nós estávamos cara a cara e assim que tive oportunidade  joguei-lhe a mão, por momentos ainda pensei estar perante um novo recorde mas não, tinha 6 kilotes apenas… Era um peixe gordo e magnifico de se olhar, ideal para comer com pouca batata e MUITO vinho 😉

Quem está de fora deste mundo da pesca não sabe, não imagina e não faz ideia por quantas e quantas noites de «sofrimento» e de derrota um pescador de cana passa até ter uma verdadeira noite de glória, o trabalho, a dedicação e o investimento que fica para trás são recompensados numa noite como esta e são nestas noites que percebemos que todo esforço e «sacrifício» até faz sentido e quem apanha grandes chibos também está sujeito a apanhar grandes Robalos.

Em cenários assim como este a magia do mar pode esconder grandes e agradáveis surpresas por debaixo destas lindas e simpáticas espumas.

É claro que no meio daquilo tudo tive de acalmar o estômago com uma sopa de feijão e um entaladinho de chouriço no pão torrado, um gajo também tem de comer alguma coisa, tão!!!

A Natureza por vezes é uma armadilha montada que espera pelos mais distraídos (pessoal muita atenção onde metem os pés quando andarem a espreitar os pesqueiros)

No dia seguinte antes de vir embora foi a minha vez de retribuir à Mãe Natureza com esta apanha de lixo que o Mar tinha trazido, neste dia até houve paciência para encher dois garrafões pelo gargalo.
Pessoal por hoje é tudo, sejam conscientes na pesca e não deixem lixo nos pesqueiros…
Saúde e força aí…

— ATENCIÓN: El artículo pertenece al BLOG de «Lobo do Mar» —


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