Abertura da pesca às trutas 2014, o património de todos

Faltam poucos dias para um dos dias mais aguardados no seio de pescadores desportivos nacionais, a abertura da pesca às trutas!
Que dizer sobre o mesmo? O dia é sempre um dia especial, para mim é já uma tradição familiar de longos anos, não será com certeza o melhor dia de pesca mas é sempre diferente dos outros.
Na realidade a loucura já não é a mesma de outros tempos, essa fase já passou faz alguns anos, na verdade também cada vez são menos as trutas, as populações continuam a regredir a passos largos
Não deve ter existido peixe tão perseguido de  água doce em  Portugal como a truta, a sua pesca, histórias e peripécias são um património colectivo de várias gerações, é sem duvida o peixe rei de Portugal não desprezando o achigã que chegou mais tarde a Portugal.
E não é por coincidência que refiro a palavra património várias vezes, as trutas, a sua pesca, a sua história deve ser preservada a todo o custo, se o Estado nada faz por esse legado façamos nós, pesquem sem morte, preservem o futuro e os ecossistemas tão sensíveis e pequenos onde as mesmas habitam.

 Pouco faltará para o regime de águas concessionadas brilhar e imperar na maior parte dos rios, o Estado Português encontrou a solução ideal de se ilibar do seu papel como Entidade principal e reguladora das massas de água nacionais, a troco de meia dúzia de euros transmite e hipoteca a gestão a clubes e a associações de largos km de rios e albufeiras, há excelentes casos de concessões com muito trabalho e dedicação do concessionário mas em larga escala o  mais comum é encontrámos um feudalismo hidrográfico.
Como o livre acesso a águas que deviam ser de todos e para todos está condicionado cada vez mais os rios livres vão ficando desertos de peixe, apesar que em algumas águas concessionadas o cenário não é melhor.
Acalento a esperança que um dia esta mentalidade mude, a cada um de nós compete denunciar e responsabilizar as situações ilegais mas também compete a nós cada vez mais pescarmos em consciência e com a consciência que os recursos são finitos e cada vez mais estão severamente afectados pela influência do Homem.

Quem desejar efectuar pesca com morte penso que o deverá fazer em sítios concessionados, de preferência com trutas oriundas de repovoamento, ainda há rios com populações autócnes de trutas, qual o sentido de as matar e hipotecar definitivamente um património com um valor incalculável?
A minha linha de pensamento é simples, se eu não matar mais trutas haverão nos rios, façam as contas e pensem em escala e multipliquem as vossas capturas por centenas de pescadores..

 Por norma faço a abertura ao spinning , mais tarde dedico-me em exclusividade a pescar à pluma, não sou um purista nato, a minha única obsessão é que só pesco trutas com iscos artificiais, continua a ser o meu predador preferido e também o que menos vou falando por aqui.

A simbologia  e tradições ligadas à sua pesca faz já parte do meu património humano, as viagens com familiares ou amigos são repletas de episódios que um dia à devida  distancia do tempo terão um lugar de eleição nas memórias da minha pessoa.

Para terminar não pensem que sou um fundamentalista que se coloca num pedestal a apontar o dedo a todos os pescadores que matam ou  pior ainda que pertenço aqueles que presunçosamente pensam que pescar com iscos artificias nos dá livre transito para sermos superiores a outras técnicas e outros pescadores, essa corrente de pensamento é facilmente encontrada em alguns pescadores de pluma.
 Há e deverá existir espaço para todos, o amor e o respeito a um peixe não se traduz da maneira como pescámos mas sim com estamos na pesca.
Pensamentos de clivagem completa não são saudáveis em nenhum meio, se queremos mudar alguma mentalidade é argumentando e fundamentando, olhares de soslaio nada de positivo trazem..

Divirtam-se a partir de dia 1 de Março, sozinhos, com familiares ou amigos mas preservem e para preservar não é preciso entrar em extremismos fundamentalistas, apenas é preciso ter consciência e pensar no dia de amanhã.

São poucos os pescadores que desde sempre pescaram sem morte, eu também pesquei com morte muitos anos e à outros tantos que o deixei de fazer e muito honestamente sinto-me muito melhor assim, já não consigo pescar trutas ou qualquer outra espécie de água doce de outra forma, uma foto valerá sempre muito mais que uma refeição, uma foto é eterna..
Propositadamente coloquei fotos de peixes capturados ao spinning referentes ao inico de Março do ano passado, também podem atentar que em alguns casos não é a melhor forma de manusear trutas, coloca-las no solo é nefasto a todos os níveis, não gosto de passar imagens imaculadas, preocupo-me em transmitir pensamentos e linhas por onde me norteio  o que vos posso garantir é que todas as trutas das fotos foram devolvidas e algumas ainda por lá nadam à espera que alguém as volte a capturar e a divertir-se..  

— ATENCIÓN: El artículo pertenece al BLOG de «Robalos na alma» —


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